quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Introdução aos Estudos Históricos
Tudo
o que há no mundo hoje, só existe porque atrás dele permanece uma história.
Nada somos além de sermos captadores de um conjunto de conhecimentos já obtidos
ao longo da nossa história e através de nossas necessidades os aperfeiçoamos.
O que é História?
A
palavra história, tem sua origem no grego antigo historía, que significa pesquisa, relato, informação. Assim sendo,
a história se constitui na investigação e ao estudo do processo histórico, dos
diferentes grupos humanos.
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Heródoto, o pai da História |
O
grego Heródoto (485-425 a.C.) é considerado o pai da História. Foi ele que
ordenou objetivamente os fatos passados já ocorridos, intercalando os fatos
ocorridos, com a culturas dos povos. Fez inúmeras viagens, relatou guerras
entre a Grécia e a Pérsia e fundou um novo modo de registro dos fatos.
Importância da
história
Muitos
me perguntam: “Porque tenho que estudar história?
” Ou “Porque tenho que saber disto? ”
Ora, se hoje vivemos em um mundo digital, onde pessoas tem suas vidas
prolongadas pelos avanços da medicina, só foi possível porque ao longo dos
séculos obteve avanços científicos e estudados devido a história de ciência.
Outros
tantos, me questionam porque fui estudar história?! Respondo sempre, porque sou curioso e somente a
história nos explica as nossas realidades vivenciadas no hoje.
A
história está presente no nosso cotidiano. Os aspectos econômicos, sociais e
culturais de um país como o Brasil são muito diferentes dos EUA e Canadá por
exemplo. Mas ambos estão no mesmo continente e foram colônias de países
europeus, então, o que de diferente ocorreu para EUA e Canadá serem tão díspares
em relação ao Brasil? Para tudo isto, encontrei explicação na história.
Fontes históricas
As
fontes históricas podem ser divididas em: material,
livros, documentos, objetos, jornais, pinturas, construções ou vestígios de
construções, armas entre outras; imaterial,
depoimentos e histórias transmitidas oralmente ao decorrer do tempo.
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Time do Grêmio FBPA, início do século XX |
Ao
analisar uma fonte histórica, percebe-se o período histórico, os costumes,
culturas, as tradições, a tecnologia, uma infinidade de fatores, a fim de enter o contexto da época.
Ao analisar a foto do time do Grêmio no início do século XX, percebemos a diferença dos dias atuais. Os jogadores estão usando gravata, bota e chapéu, muito mais preocupados com a moda da época do que com a praticidade ou conforto do jogador. Sem falar que quase todos ostentando seus bigodes, muito comuns para a época.
Contudo, não é possível resgatar ou recriar o passado. Porque
o que é passado, já passou, quando um historiador ou arqueólogo vão analisar os
fatos passados, estes fatos são analisados partindo do princípio das vivências
atuais do profissional. Filósofo grego Heráclito já disse: “Não podemos nos
banhar duas vezes no mesmo rio porque as águas se renovam a cada instante. ”
Tempo e história
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Relógio solar |
Os
relógios e os calendários são formas de medir o tempo. Os relógios mais antigos
de que se tem notícia datam de mais de 4000 anos atrás. Foram criados a partir
da observação do movimento do sol, composto por uma haste presa a uma
superfície plana, sendo assim chamados de relógios de sol.
Por
volta do ano 800 d.C., foi criado a ampulheta. Ela era formada por dois recipientes
maiores, interligados por um orifício ao qual escorrem grãos de areia. Cada vez
que o recipiente inferior fica cheio, a ampulheta é virada. Cada virada da ampulheta
marca a passagem de um certo tempo.
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Ampulhieta |
Outra
forma de medir o tempo é o calendário. Diversos povos desenvolveram calendários
ao longo de suas existências. Existem várias formas de conceber um calendário,
os mais utilizados são:
a) O calendário lunar: são aqueles que
dividem o tempo de acordo com o movimento da Lua em torno da Terra. Os
islâmicos utilizam este tipo de calendário
b) O calendário solar: é baseado na rotação
da Terra em torno do Sol. Possui 365 dias, tempo que a Terra leva para fazer o
movimento de translação em torno do Sol. O calendário cristão é um calendário
solar.
c) O calendário lunissolar: baseia-se no mês
lunar, mas procura fazer concordar o ano lunar com o solar, por meio da
intercalação periódica de um mês a mais. Os judeus utilizam esse calendário.
Como
a contagem do calendário ocidental cristão é feito a partir do nascimento de
Cristo, utilizamos os tempos anteriores de Cristo com “a.C.” e depois de Cristo
com “d.C.”. Assim sendo, a contagem dos anos até o nascimento de Cristo é de
forma decrescente e posteriores ao nascimento de Cristo, ano 1, são crescentes:
1978 a.C., 301 a.C., 12 a.C., 1, 12 d.C., 301 d.C., 1978, 1983, 1995, 2001,
2014.
O século: um conjunto
de cem anos
O
calendário cristão pode ser ainda organizado em séculos, ou seja, em grupo de
cem anos. O primeiro século da era cristã, inicia-se quando acredita-se ser o
nascimento de Cristo, que vai do ano 1 até o ano 100. Para descobrir o século é
utilizado duas operações:
a)
Se o ano acaba em “00”, basta eliminar os zeros e temo o século. Exemplo: 1500
= 15 = século XV; 1800 = 18 = século XVIII.
b)
Quando o ano não termina em “00”, retiramos os dois últimos algarismos e
somamos “1” ao número que sobrara. Exemplo: 1942 = 14 + 1 = 15 = século XV.
Divisão da história
Ocidental
Para
organizar os acontecimentos no tempo, os historiadores levaram em consideração
o tempo cronológico, que é medido pelo calendário e relógio. Para facilitar o
estudo do passado, e a localização, a história ocidental foi dividida em 5
marcos históricos importantes ocorridos da Europa.
Contudo,
esta divisão eurocêntrica da história, vem ganhando muitas críticas, pois não é
possível dividir a história do mundo, tendo como base apenas a Europa. Outra crítica, é que um fato histórico
ocorrido não seria capaz de mudar a cultura e o modo de pensar até então.
Algo
semelhante em desejar um feliz ano novo, e que o próximo ano vindouro será de
realizações. Ora, apenas foi trocado o número do ano, não irá ocorrer algo
extraordinário em um passe de mágica e tudo será resolvido a partir de um ano
que está chegando.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Os Amoritas
Em 1900 a.C. os amoritas, um povo semita vindo do deserto da Arábia, estabeleceram-se no centro-sul da Mesopotâmia e, lá, construíram a cidade de Babilônia. Os amoritas, conquistaram outros povos e passaram a exercer poder sobre as outras. Em razão do predomínio da cidade de Babilônia sobre as demais, tornou-se sede de um grande império: o Primeiro Império Babilônico. Por esta razão os amoritas passaram a ser conhecidos como babilônios.Entre os reis da primeira dinastia babilônica destacou-se a.C. a Hamurabi, que governou de 1792 1750 a.C. Ele conquistou várias regiões da Suméria e territórios ao Norte, unificando quase toda a Mesopotâmia. Hamurabi foi um grande governador, suas principais realizações foram:
a) estimulou o desenvolvimento da navegação pelo rio Eufrates e criou um rígido sistema de cobrança de impostos;
b) desenvolveu a agricultura, favorecido pela construção e conservação de grandes reservatórios de água e canais de irrigação;
c) construiu vários edifícios públicos, canais de irrigação e açudes;
Sua principal realização foi um código de leis, que ficou conhecido como Código de Hamurábi. Estabelecia regras de vida e de propriedade, estendendo a lei a todos os súditos do império. Seu texto contendo 282 princípios, é conhecida por ser “olho por olho; dente por dente”. Eis alguns dos princípios do Código de Hamurábi:
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Estela onde está gravado o Código de Hamurábi |
6º - Se alguém furta bens de Deus ou da Corte deverá ser morto; e mais quem recebeu dele a coisa furtada também deverá ser morto.
22º - Se alguém comete roubo e é preso, ele é morto.
196º – Se alguém arranca o olho a um outro, se lhe deverá arrancar o olho.
200º - Se alguém parte os dentes de um outro, de igual condição, deverá ter partidos os dentes.
203º - Se um homem livre espanca outro homem livre de igual condição, deverá pagar uma mina.
204º - Se um liberto espanca um liberto, deverá pagar dez siclos.
205º - Se um escravo de um homem livre espanca um homem livre, se lhe deverá cortar a orelha.
Pelo código, percebe-se que a sociedade amorita era composta de escravos, libertos e homens livres. Além disso havia distinção entre os grupas sociais, inclusive na aplicação de penas.
Durante o governo de Hamurábi, foi determinado o culto ao deus Marduk, tendo um período de monoteísmo na Mesopotâmia, em uma região tomada pelo politeísmo. Com a morte de Hamurabi, o império babilônico enfraqueceu-se com as disputas pelo controle do poder e se território foi invadido e ocupado por diferentes povos, que já guerreavam a cavalo, causando a desintegração desse império. Tempos depois, esses povos foram vencidos pelos assírios.
- Surgimento das Cidades
Mesopotâmia
- Sumérios
- Caldeus
- Assirios
- Babilônia
- Os Persas
- Fenícios
- Hebreus
Os paraenses eram sua maioria muito pobres: viviam da pesca, exploração de madeira, castanha-do-pará, cacau, baunilha e ervas medicinais; trabalhavam no regime de escravidão ou por baixíssimos salários e moravam em cabanas erguidas sobre estacas ás margens dos rios; por isso eram chamados de cabanos.
Em 1835, quando se iniciou a cabanagem, a província do Grão-pará abrangia os atuais do, Amapá, Rondônia, Roraima e Amazonas. A população do Grão-pará era de cerca de 120.000 habitantes, composto por:
Índios: 33.000
Negros: 30.000
Mestiços: 42.000
Brancos: 15.000
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Cabanagem teve forte participação popular |
Contudo, os cabanos continuaram lutando sob a liderança de Eduardo Angelim e reconquistaram Belém e proclamaram uma república em agosto de 1835. O governo central não aceitou a República paraense e, em maio de 1836, enviou ao grão-Pará uma poderosa força militar, composta por navios e mercenários e prenderam Eduardo Angelim e tomaram Belém. Os revoltosos, se refugiaram dentro da floresta amazônica e resistiram até 1840, quando foram completamente dominados. Estima-se o número de mortos em torno de 30 mil pessoas.
- Período Regencial
-Revolução Farroupilha
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Os
Sumérios
Os
sumérios foram os primeiros a se fixarem na Mesopotâmia, por volta de 8500 a.C.,
perto do Golfo Pérsico, uma região favorecida pelas enchentes periódicas dos
rios Tigre e Eufrates. A civilização suméria desapareceu por volta de 1900 a.C.,
mas exerceu forte influência sobre os outros povos da região.
Alimentação
Os
sumérios eram descendentes de pastores nômades e herdaram deles o costume de
criar cabras e carneiros. O leite de cabra, juntamente com seus derivados (queijo,
manteiga e iogurte) eram uma de suas principais fontes de alimento, juntamente
com a carne de carneiro.
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Os sumérios souberam "dominar" os rios e desenvolveram sua agricultura |
Outra
fonte de alimento era retirada dos rios Tigre e Eufrates, como a pesca de
peixes e a agricultura, devido a fertilização das margens durante as cheias. Entretanto,
para aproveitar a riqueza do solo, era necessário controlar as enchentes,
capazes de arrasar as ladeias erguidas ás margens dos rios.
Para
solucionar este problema, os sumérios realizaram grandes obras hidráulicas:
drenaram os pântanos em torno
dos rios; ergueram diques para controlar as cheias; abriram canais para a
irrigação de regiões cada vez mais distantes; fizeram açudes para garantir o
abastecimento de água a sua população. Essas obras transforaram partes do deserto
em terras boas para o plantio de trigo, cevada e outros cereais.
Ao
mesmo tempo, eles inventaram uma ferramenta que aprimorou as atividades
agrícolas: o arado de cobre. Atrelado aos bois, o arado permitia revolver maior
quantidade de terra, deixando-a pronta para semeadura. Com maior área destinada
ao plantio, os sumérios passaram a obter excedentes de alimentos, que eram
estocados para os períodos de falta de alimentos.
O
desenvolvimento da agricultura, ocasionou o aumento da população e propiciou o
desenvolvimento do comércio e o surgimento de novas atividades e profissões.
Surgiram comerciantes, artesãos para trabalhar as matérias-primas, pessoas
encarregadas do transporte de mercadorias, soldados para proteger esse transporte.
Em
meio a essas novidades, as aldeias cresceram. Há cerca de 5000 anos, os
sumérios fundaram as primeiras cidades da Mesopotâmia, como: Ur, Nippur, Uruk, Kish Eridu e Lagash. As
cidades sumérias eram autônomas umas das autoras, cada uma possuía um governo
independente, com leis próprias, justiça e exércitos particulares. Assim sendo, eram cidades-Estado.
Essas
cidades viviam em permanente conflito, disputando o domínio sobre terras
férteis. Para defenderem suas cidades de invasões, eles erguiam em torno delas
muralhas altas, com dezenas de quilômetros de extensão e centenas de torres
defensivas.
Poder e religião
Algumas
pessoas, como os mais idosos, os mais respeitados, os líderes guerreiros ou os
mais ricos, acabavam conquistando um prestígio especial entre os demais. Aos poucos,
algumas dentre estas pessoas, assumiram um papel de liderança dentro das
cidades e acabaram conquistando o título de rei de sua cidade.
O
rei era visto como representante do deus da cidade, assim, tinha direito à
maior parte das terras e dos bens (como alimentos e joias) oferecidos aos
deuses ou obtidos nas guerras. Com isso, acumulava enorme riqueza e poder.
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Estandarte de Ur, produzido por artesãos sumérios, entre 2600 a.C. e 2400 a.C., encontrado nas escavações da maior sepultura do Cemitério Real, na cidade de Ur, no sul do atual Iraque |
O
rei da cidade era o principal sacerdote do templo, e chefe dos demais sacerdotes.
Os sumérios eram politeístas (acreditavam em vários deuses), cada cidade tinha
seu deus protetor, em homenagem ao seu deus, eles erguiam templos, os chamados
zigurates. Para os sumérios, fenômenos naturais, como a chuva, seca, eram
resultado dos desejos de suas divindades.
Os
templos eram verdadeiros centros de riqueza e de poder, a instituição mais rica
da sociedade. Lá era controlada, por exemplo, as terras utilizadas na agricultura.
Cabia aos sacerdotes a administração desses templos, o que lhe acabava gerando,
juntamente com o rei, grande prestígio e influência.
Astronomia
Preocupados
em entender os desejos divinos, os sacerdotes passaram a estudar o céu, acumulando,
assim, um volume enorme quantidade de informações sobre as estrelas e os
fenômenos celestes. Isso lhes permitiu elaborar um calendário, baseado nas
fases da lua.
Ao
estudar as estrelas, os sumérios observaram que a posição dos astros no céu levava
cerca de 360 dias para se repetir. Com base dessas informações, associaram o
movimento dos astros à circunferência e passaram a dividi-la em 360 partes
iguais.
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As cidades sumérias eram protegidas por muralhas |
Os
sumérios também tinham um sistema de numeração que tomava como base o número
60. Assim, estabeleceram uma marcação do tempo, na qual uma hora, equivaleria a
60 minutos e um minuto, 60 segundos. Exatamente como fazemos atualmente.
Escrita
Na
necessidade de registrar a produção agrícola, os estoques de alimentos, os
impostos recebidos, as transações comerciais e as leis, estabeleceram padrões
de pesos e medidas e, por volta de 3300 a.C. criaram uma das mais antigas formas
de escrita que se conhece, por volta de 4000 a.C.
Inicialmente,
os símbolos eram gravados em placas de argila úmida, com hastes bambu e depois
colocavam ao sol para secar. Cerca de quinhentos anos depois, as hastes de
bambu foram trocadas por estiletes com ponta em forma de cunha. Por este motivo
ficou conhecido como cuneiforme.
Em
um primeiro momento, a escrita suméria era pictográfica,
a qual é baseada em símbolos, que significavam uma palavra. Por exemplo: o
desenho da cabeça de um boi, queria dizer boi; uma tigela, significava comida. Os
sumérios utilizavam cerca de 2000 sinais, mas havia dificuldades para expressar
com eles ideias abstratas.
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Escrita suméria cuneiforme |
Como
decorrer do tempo, foram introduzidas modificações, e os pictogramas passaram a
representar sílabas ou sons. Isso permitiu que, por volta de 2500 a.C., o
número de pictogramas reduzisse para 600. A escrita suméria, se espalhou pela
Mesopotâmia, chegando a outras regiões, como Egito e o atual Chipre. A escrita
cuneiforme foi utilizada no Oriente Médio até os primeiros tempos da Era
Cristã.
Saber
ler e escrever exigia vários anos de rigorosos treinamentos. As aulas eram
ministradas nas edubbas, escolas que
funcionava, ao lado dos templos ou do palácio real. Em geral, os escribas eram homens oriundos de
famílias abastardas e frequentavam as edubbas
desde o início da juventude.
As
edubbas proliferaram, contribuindo
para a difusão das línguas faladas na Mesopotâmia. Uma delas, a acadiana (derivada
do sumério) tornou-se com o tempo a língua oficial e diplomática dos povos
locais. Diversos documentos, como tratados de paz e declarações de guerra,
foram escritos nesse idioma.
Dominação
A
partir de 3.000 a.C., surgiram os impérios, onde, várias cidades passaram a ser
dominadas por uma. Todas as cidades eram obrigadas a fornecer soldados e a
pagar tributos ao governo da região dominadora. O Império Acádio (região de
Acad) foi o primeiro império mesopotâmico de grande extensão territorial.
Enfraquecidos os sumérios acabaram dominadas pelos amoritas, que fixaram no
Mesopotâmia por volta de 2500 a.C.
- Surgimento das Cidades
Mesopotâmia
- Amoritas
- Caldeus
- Assirios
- Babilônia
- Os Persas
- Fenícios
- Hebreus
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Invasão Holandesa no Brasil
Acontecimentos políticos na Europa, envolvendo Portugal, Espanha e Holanda se refletiram no Brasil. Uma delas foi a União Ibérica, ocorrido porque o rei português, d. Henrique, morreu em 1580 sem deixar herdeiro. O rei da
Espanha, Felipe II, tomou a coroa portuguesa e uniu Portugal e Espanha em um único reino, entre os anos de 1580 e 1640.
Holanda, de aliada a inimiga
Para construir um engenho de açúcar, era necessário um investimento muito elevado. Como a maioria dos portugueses, que vieram para colonizar suas terras, não dispunham de dinheiro suficiente para custear seus empreendimentos, foi necessário procurar capital com banqueiros. A Holanda contava com grandes bancos, especialmente a maioria deles de propriedades de judeus que foram expulsos de Portugal e Espanha pela Inquisição.
A Holanda, então, passou a garantir todas as etapas da produção do açúcar, desde o financiamento até o fornecimento de equipamentos. Em troca, os holandeses tinham o direito de comercializar o açúcar. Eles atracavam nos portos das colônias portuguesas para comprar e revender o produto, além de transportá-lo, refiná-lo e distribuí-lo na Europa.
Com a União Ibérica, todos os inimigos da Espanha, passaram a ser inimigos de Portugal, inclusive a Holanda, antiga parceira de portuguesa. O reino de Felipe II abrangia os Países
Baixos (Holanda e Bélgica atuais). Algumas províncias dessa região, de maioria protestante, estavam descontentes como domínio espanhol, devido a cobrança de pesados tributos e pela imposição do catolicismo. Depois de vários anos de luta, conseguiram de libertar da Espanha, formando assim, um país independente, a Holanda.

A invasão holandesa
A Companhia da Índias Ocidentais, passou a deter o monopólio do comércio na América e na África, e, assim organizou a invasão holandesa no Brasil. O primeiro grande
ataque ocorreu em 1624, na Bahia, com o objetivo de tomar Salvador, a sede do
Vice Reinado ibérico na colônia. Em
um primeiro momento, o ataque foi bem-sucedido, tomaram a cidade sem muita resistência e prenderam o governador ibérico.
Porém, a resistência organizada pela população local, após a invasão, impediu que os holandeses avançassem ao interior e consolidassem seu domínio. A tática usada foi a guerra de emboscadas, onde os habitantes locais saíam da mata, em pequenos bandos e atacavam os holandeses de surpresa. Para auxiliar na guerra contra os holandeses, a Espanha enviou sua marinha, contando com cerca de 12 mil homens. Não podendo resistir, os holandeses se renderam, em 1625.
A
derrota em Salvador revelou a necessidade pelos holandeses de buscar, na rica
região do açúcar, uma área menos protegida, mas de igual importância econômica
para atacar. A escolha recaiu sobre a capitania de Pernambuco, o maior produtor mundial de açúcar, na época.
Em
1630, o holandeses atacaram o litoral pernambucano e, depois de vários
enfrentamentos com tropas portuguesas e proprietários locais, apoderaram-se de Olinda e Recife, fundando em 1635 a Nova Holanda. A sede do governo holandês,
estabelecida primeiramente em Olinda, logo foi transferida para Recife.
O então governador ibérico, Matias de Albuquerque, retirou-se para o interior com seus soldados e armas e fundou o Arraial do Bom Jesus, forte de resistência aos invasores. Contudo, os holandeses ficaram isolados nos núcleos urbanos, enquanto os ibéricos dominavam a região dos engenhos.
Para possibilitar sucesso de seu domínio, os holandeses garantiram proteção aos senhores de engenho que desejassem retornar as suas propriedades e incentivaram a compra dos engenhos abandonados. Assim, contando com apoio de moradores locais, entre eles Domingos Fernandes Calabar, os holandeses conseguiram dominar a região. O governador ibérico, conseguiu prender Calabar e mandou executá-lo, ordenou que ateassem fogo nos canaviais e se retirou para Alagoas.
O
domínio holandês na América portuguesa
Depois
da conquista de Pernambuco, novos ataques possibilitaram aos holandeses
estender seus domínios de Alagoas até o Rio Grande do Norte. No início, os
senhores de engenho se opuseram aos estrangeiros, pois temiam perder suas
propriedades. Entretanto eles aceitaram o governo holandês quando perceberam
que seu maior objetivo era o interesse no comércio do açúcar.
Em 1637, a Companhia das Índias Ocidentais, nomeou o nobre holandês João Maurício de Nassau, como governador para comandar o desenvolvimento das terras dominadas. A administração de Nassau caracterizou-se pela modernização e recuperação da economia local. Assim, cidade de Recife, sede da administração holandesa, ganhou ares de cidade
europeia: praças, canais, palácios, museus, zoológicos pontes e edifícios foram construídos; as ruas foram calçadas; até um observatório astronômico foi construído.
Maurício de Nassau, fez alianças e concedeu empréstimos aos fazendeiros, a fim de retomar rapidamente a produção de açúcar, prejudicada pela guerra. Assim, os senhores de engenho puderam comprar escravos, recuperar as máquinas defeituosas e retomar a produção. Foi estalecido leis, nomeado juízes, funcionários públicos .
Os
holandeses promoveram uma série mudanças na vida colonial nordestina, com a
introdução de novos hábitos e costumes e uma política de tolerância religiosa e
cultural. Seguidores do calvinismo, missionários holandeses realizaram um
intenso trabalho de conversão dos índios à igreja reformada, especialmente com
os potiguares. Nassau, concederam liberdade religiosa, para evitar possíveis confrontos entre os senhores de engenho (católicos) e os holandeses (protestantes).
O governador trouxe cientistas, como Georg Marcgraf e Willen Piso e artistas europeus, como Albert Eckhout registraram a natureza e a paisagem local em seus trabalhos. O mais conhecido dos pintores foi Frans Post, que viveu no Brasil de 1637 a 1644.
Expulsão dos holandeses
Em 1640 a União Ibérica chegou ao fim com
a aclamação de d. João IV, e, Portugal tentou
recuperar seu império ultramarino. As dificuldades financeiras ainda impediram
que os territórios dominados pelos estrangeiros fosse prontamente recuperados. Em 1641, d. João assinou um tratado de paz por 10 anos com a Holanda. Por este motivo, os holandeses permaneceram no Nordeste até 1654.
A
saída de Maurício de Nassau, do governo holandês, no Nordeste em 1644, pôs fim à
boa convivência que tinha sido estabelecida entre holandeses e colonos no
Nordeste açucareiro.
Os
novos administradores, preocupados somente com os lucros, tentaram recuperar os enormes gastos feitos por Nassau e aumentar
os lucros da companhia holandesa. Pressionaram então, os fazendeiros a saldar suas dívidas, sob ameaça de confiscar seus escravos, suas terras ou a produção do
açúcar. Tal situação, levou os senhores de engenho a se oporem aos holandeses.
Em 1645, teve início a Insurreição Pernambucana que se estendeu por 9 anos, onde tropas luso-brasileiras lutaram contra os holandeses. As duas Batalhas dos Guararapes, em 1648 e em 1649, vencidas pelos luso-brasileiros, foram decisivas para restaurar
gradualmente o domínio português.
O governo português, então, ajudado pela Inglaterra, que disputava contra a Holanda o domínio dos mares, enviou a Pernambuco uma frota naval de guerra. Atacados por terra e mar, os holandeses se renderam. Em
1654, os holandeses assinaram a Capitulação da Campina da Taborda e se
retiraram definitivamente do território nordestino. A paz, só foi assinada em
1661.
Com a experiência adquira no Nordeste do Brasil, com a produção de açúcar, a Holanda passou a produzir açúcar nas Antilhas. Além disso, a Holanda possuía uma enorme frota naval e grande experiência na distribuição do açúcar na Europa.
Sem as fontes de financiamento e com a concorrência do produto antilhano, o setor entrou em crise. Entre os anos de 1650 e 1700, os preços do açúcar brasileiro caíram pela metade.
- Colonização e Administração da América Portuguesa
- Economia Açucareira
- União Ibérica
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Colonização Inglesa
O
início dos ingleses no processo de colonização do continente americano conta
com determinadas particularidades que o difere sensivelmente da experiência
colonial promovida por portugueses e espanhóis. Entre outras razões, destaca-se
o processo tardio de colonização, a natureza espontânea da ocupação dos
territórios e as características do litoral norte-americano como pontos
fundamentais na compreensão da colonização inglesa.
1.
O início da colonização inglesa
Os
ingleses começaram a ocupar a América do Norte a partir de 1584, sob o reinado
da rainha Elizabeth I. Nesse ano, Walter Raleigh fundava em 1607 a colônia da
Virgínia. De início ela teria pouquíssimo sucesso, devido aos inúmeros ataques
dos povos nativos aos invasores. O principal produto dessa colônia era o
tabaco.
A partir do século XVII, a colonização inglesa
ganharia novo impulso devido a intolerância religiosa e a fundação das
companhias de comércio britânicas, que favoreceram a constituição de novas
colônias em terras americanas.
Nessa
época muitos dos colonos eram puritanos que fugiam da Inglaterra devido à severas
perseguições religiosas. Somavam-se a eles um grande contingente de pessoas
empobrecidas em razão das profundas transformações econômicas decorrentes do
declínio do sistema feudal, das sucessivas guerras e fome. Todos buscavam uma
vida mais segura e promissora no continente americano, onde poderiam recomeçar
suas vidas.
A
relativa autonomia que os colonos desfrutaram na América do Norte parecia facilitar a realização da promessa de um “novo mundo”. Por isso, em muitos dos
nomes dados ás colônias, aparece a palavra “novo” ou “nova”: Nova Inglaterra,
Nova Amsterdã (futura Nova York), Nova França (futuro Canadá), Nova Orleans,
etc.
Esse
contingente de imigrantes deu origem às 13 colônias anglo-saxônicas.
Dirigiram-se especialmente para a região América do Norte, região que ficou
conhecida como Nova Inglaterra, e, também para o centro da costa atlântica da
América do Norte, onde o clima era semelhante ao inglês.
2.
Duas formas de colonizar
Em
geral, a colonização da América do Norte foi empreendida por companhias
inglesas, organizadas por comerciantes e banqueiros e autorizados pela Coroa.
As principais empresas eram a Companhia de Londres, que tinha o monopólio das
regiões ao norte e a Companhia de Plymouth, que recebeu o monopólio dos
territórios ao sul.
Os
peregrinos na América
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Muitos puritanos, vieram se fixar na América, fugindo das perseguições religiosas na Inglaterra. |
Muitos
trabalhadores ingleses migraram para a América do Norte na condição de servos
temporários. Em geral, eram pessoas pobres, que não tinham dinheiro para pagar a
viagem rumo à América. Como nas novas terras havia escassez de mão de obra,
eles aceitavam trabalhar sem remuneração, em troca do pagamento das despesas de
viagem. Normalmente, depois de sete anos, os servos ficavam livres.
A
primeira iniciativa independente de colonizar a América do Norte ocorreu em
1620, quando 102 ingleses, entre eles muitos puritanos, desembarcaram do navio
Mayflower e fundaram a cidade de Plymouth, no atual Massachussetts. Eles
ficaram conhecidos como “pais peregrinos”. No rastro destes primeiros colonos,
vieram outros: franceses, holandeses, irlandeses e alemães, formando as treze
colônias da América do Norte.
As colônias do Sul
Para a Inglaterra, as terras mais interessantes ao modelo mercantilista se localizavam no sul. Virgínia, (1607), Maryland (1632), Carolina do Norte e do Sul) (1663) e Geórgia (1773) situavam-se em áreas de clima menos frio, que favorecia o cultivo de artigos não cultivados no clima inglês, os quais abasteciam o mercado europeu.
As colônias do Sul produziam principalmente algodão, tabaco, arroz e índigo (planta que se extrai a cor azul), artigos valorizados no mercado europeu. O cultivo era realizado em grandes propriedades agrícolas monocultoras, ou seja, que se dedicavam à produção de um único artigo. A mão de obra utilizada era predominante escrava.
A produção sulista de gêneros subtropicais era vendida, sobretudo, para a Europa por meio das companhias inglesas de comércio. Como existiam alguns negócios comuns entre os produtores do Sul e a Inglaterra, houve uma aproximação maior das colônias do Sul em relação à metrópole, sem que isso reduzisse a autonomia da região.
Tanto nas colônias do Norte e do centro quanto nas do Sul, a colonização não era controlada diretamente pela monarquia britânica. As companhias de comércio gozavam de razoável autonomia. Isso lhes permitia negociar com outras partes da América sem a interferência da metrópole.
Também não havia um comando único sobre as colônias. Elas eram totalmente independentes uma das outras. Deviam obediência ao estado inglês, mas dispunham de relativa autonomia na sua organização e nas decisões políticas que tomavam.
As
colônias do Norte e do Centro
O
ponto de partida da colonização do norte foi Plymouth. Depois, os colonos se
estabeleceram ao longo do Rio Connecticut (1633) e fundaram New Haven (1640).
Apesar de terem sido vítimas da intolerância religiosa na Inglaterra, os
puritanos foram extremamente intolerantes com os não puritanos na nova terra,
perseguindo diversos grupos, entre eles os Quaker. Por causa disso, muitas
pessoas migraram mais para o norte, fundando colônias como Rhode Island (1636)
e New Hampshire (1638). As colônias do Norte ficaram conhecidas como a Nova
Inglaterra.
No
centro, colonos fundaram a Pensilvânia, Nova Jersey e Delaware, as últimas
colônias a surgir na região. Em 1664, colono ingleses se apossaram da colônia
holandesa de Nova Amsterdã e lhe deram o nome de Nova York.
O
clima frio do Norte e do centro dificultou a implantação de uma agricultura de
produtos tropicais, não inserindo as colônias do Norte e o centro no modelo
mercantilista, como foi feito na América portuguesa. Interessados em praticar
uma atividade rentável na região, os colonos desenvolveram, desde cedo, o
comércio, as manufaturas e a atividade pesqueira.
Na
porção norte e cento das 13 colônias, a atividade agropastoril realizou-se em
pequenas propriedades, com mão de obra livre, assalariada, com a finalidade de
subsistência ou de produção. Os produtos cultivados abasteciam o mercado
interno.
O
comércio triangular
O
pequeno controle exercido pela Inglaterra sobre as colônias do Norte e do
centro permitiu que elas desenvolvessem uma poderosa marinha mercante,
construíssem grandes veleiros e pesqueiros e participassem do comércio mundial.
Nas
Antilhas os colonos ingleses obtinham melaço para produzir rum, bebida que era
trocada por escravos na África. Estes, por sua vez, eram vendidos nas colônias
do Sul e nas Antilhas.
Os
lucros desse comércio, chamado triangular, juntamente com o conhecimento de
novas tecnologias trazidas pelos colonos ingleses, propiciou o desenvolvimento
das manufaturas nas colônias no Norte e do cento e favoreceram o surgimento de
uma rica burguesia mercantil na América do Norte.
- Expansão Marítima Europeia
- Mercantilismo
- República Puritana
- Revolução Gloriosa
- Independência das 13 Colônias Inglesas na América
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