segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Colonização Inglesa

O início dos ingleses no processo de colonização do continente americano conta com determinadas particularidades que o difere sensivelmente da experiência colonial promovida por portugueses e espanhóis. Entre outras razões, destaca-se o processo tardio de colonização, a natureza espontânea da ocupação dos territórios e as características do litoral norte-americano como pontos fundamentais na compreensão da colonização inglesa.

1. O início da colonização inglesa
Os ingleses começaram a ocupar a América do Norte a partir de 1584, sob o reinado da rainha Elizabeth I. Nesse ano, Walter Raleigh fundava em 1607 a colônia da Virgínia. De início ela teria pouquíssimo sucesso, devido aos inúmeros ataques dos povos nativos aos invasores. O principal produto dessa colônia era o tabaco.
A partir do século XVII, a colonização inglesa ganharia novo impulso devido a intolerância religiosa e a fundação das companhias de comércio britânicas, que favoreceram a constituição de novas colônias em terras americanas.
Nessa época muitos dos colonos eram puritanos que fugiam da Inglaterra devido à severas perseguições religiosas. Somavam-se a eles um grande contingente de pessoas empobrecidas em razão das profundas transformações econômicas decorrentes do declínio do sistema feudal, das sucessivas guerras e fome. Todos buscavam uma vida mais segura e promissora no continente americano, onde poderiam recomeçar suas vidas.
A relativa autonomia que os colonos desfrutaram na América do Norte parecia facilitar a realização da promessa de um “novo mundo”. Por isso, em muitos dos nomes dados ás colônias, aparece a palavra “novo” ou “nova”: Nova Inglaterra, Nova Amsterdã (futura Nova York), Nova França (futuro Canadá), Nova Orleans, etc.
Esse contingente de imigrantes deu origem às 13 colônias anglo-saxônicas. Dirigiram-se especialmente para a região América do Norte, região que ficou conhecida como Nova Inglaterra, e, também para o centro da costa atlântica da América do Norte, onde o clima era semelhante ao inglês.

2. Duas formas de colonizar
Em geral, a colonização da América do Norte foi empreendida por companhias inglesas, organizadas por comerciantes e banqueiros e autorizados pela Coroa. As principais empresas eram a Companhia de Londres, que tinha o monopólio das regiões ao norte e a Companhia de Plymouth, que recebeu o monopólio dos territórios ao sul.

Os peregrinos na América
Muitos puritanos, vieram se fixar na América, fugindo das
perseguições religiosas na Inglaterra
.
Muitos trabalhadores ingleses migraram para a América do Norte na condição de servos temporários. Em geral, eram pessoas pobres, que não tinham dinheiro para pagar a viagem rumo à América. Como nas novas terras havia escassez de mão de obra, eles aceitavam trabalhar sem remuneração, em troca do pagamento das despesas de viagem. Normalmente, depois de sete anos, os servos ficavam livres.
A primeira iniciativa independente de colonizar a América do Norte ocorreu em 1620, quando 102 ingleses, entre eles muitos puritanos, desembarcaram do navio Mayflower e fundaram a cidade de Plymouth, no atual Massachussetts. Eles ficaram conhecidos como “pais peregrinos”. No rastro destes primeiros colonos, vieram outros: franceses, holandeses, irlandeses e alemães, formando as treze colônias da América do Norte.

As colônias do Sul
Para a Inglaterra, as terras mais interessantes ao modelo mercantilista se localizavam no sul. Virgínia, (1607), Maryland (1632), Carolina do Norte e do Sul) (1663) e Geórgia (1773) situavam-se em áreas de clima menos frio, que favorecia o cultivo de artigos não cultivados no clima inglês, os quais abasteciam o mercado europeu.
As colônias do Sul produziam principalmente algodão, tabaco, arroz e índigo (planta que se extrai a cor azul), artigos valorizados no mercado europeu. O cultivo era realizado em grandes propriedades agrícolas monocultoras, ou seja, que se dedicavam à produção de um único artigo. A mão de obra utilizada era predominante escrava.
A produção sulista de gêneros subtropicais era vendida, sobretudo, para a Europa por meio das companhias inglesas de comércio. Como existiam alguns negócios comuns entre os produtores do Sul e a Inglaterra, houve uma aproximação maior das colônias do Sul em relação à metrópole, sem que isso reduzisse a autonomia da região.
Tanto nas colônias do Norte e do centro quanto nas do Sul, a colonização não era controlada diretamente pela monarquia britânica. As companhias de comércio gozavam de razoável autonomia. Isso lhes permitia negociar com outras partes da América sem a interferência da metrópole.

Também não havia um comando único sobre as colônias. Elas eram totalmente independentes uma das outras. Deviam obediência ao estado inglês, mas dispunham de relativa autonomia na sua organização e nas decisões políticas que tomavam.

As colônias do Norte e do Centro
O ponto de partida da colonização do norte foi Plymouth. Depois, os colonos se estabeleceram ao longo do Rio Connecticut (1633) e fundaram New Haven (1640). Apesar de terem sido vítimas da intolerância religiosa na Inglaterra, os puritanos foram extremamente intolerantes com os não puritanos na nova terra, perseguindo diversos grupos, entre eles os Quaker. Por causa disso, muitas pessoas migraram mais para o norte, fundando colônias como Rhode Island (1636) e New Hampshire (1638). As colônias do Norte ficaram conhecidas como a Nova Inglaterra.
No centro, colonos fundaram a Pensilvânia, Nova Jersey e Delaware, as últimas colônias a surgir na região. Em 1664, colono ingleses se apossaram da colônia holandesa de Nova Amsterdã e lhe deram o nome de Nova York.
O clima frio do Norte e do centro dificultou a implantação de uma agricultura de produtos tropicais, não inserindo as colônias do Norte e o centro no modelo mercantilista, como foi feito na América portuguesa. Interessados em praticar uma atividade rentável na região, os colonos desenvolveram, desde cedo, o comércio, as manufaturas e a atividade pesqueira.
Na porção norte e cento das 13 colônias, a atividade agropastoril realizou-se em pequenas propriedades, com mão de obra livre, assalariada, com a finalidade de subsistência ou de produção. Os produtos cultivados abasteciam o mercado interno.

O comércio triangular
O pequeno controle exercido pela Inglaterra sobre as colônias do Norte e do centro permitiu que elas desenvolvessem uma poderosa marinha mercante, construíssem grandes veleiros e pesqueiros e participassem do comércio mundial.

Nas Antilhas os colonos ingleses obtinham melaço para produzir rum, bebida que era trocada por escravos na África. Estes, por sua vez, eram vendidos nas colônias do Sul e nas Antilhas.
Os lucros desse comércio, chamado triangular, juntamente com o conhecimento de novas tecnologias trazidas pelos colonos ingleses, propiciou o desenvolvimento das manufaturas nas colônias no Norte e do cento e favoreceram o surgimento de uma rica burguesia mercantil na América do Norte.





-  Expansão Marítima Europeia
- Mercantilismo
-  República Puritana
- Revolução Gloriosa
- Independência das 13 Colônias Inglesas na América




Nenhum comentário:

Postar um comentário