Governo Sarney
Em 1985, o Congresso Nacional tomou decisões
importantes para a continuação do processo de redemocratização, como a
restauração da eleição direta do presidente da República, dos prefeitos das
capitais e dos municípios e a plena liberdade de organização partidária, era o
fim da clandestinidade para partidos de esquerda como o PCB e o PCdoB.
1. Eleição de 1985
A eleição presidencial de 1985 foi realizada através do Colégio Eleitoral. Os partidos de oposição se articularam e lançaram o político mineiro moderado do PMDB, Tancredo Neves para presidente. O PDS lançou o político paulista Paulo Maluf.
Uma ala do PDS não concordou com a indicação de Maluf e se separou do partido e fundaram o PFL e uniram-se ao PMDB e indicaram o político maranhense, José Sarney, como vice na chapa denominada Aliança Democrática. Em 15 de janeiro de 1985, tancredo Neves foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral.
Por caminhos indiretos
A eleição presidencial de 1985 foi realizada através do Colégio Eleitoral. Os partidos de oposição se articularam e lançaram o político mineiro moderado do PMDB, Tancredo Neves para presidente. O PDS lançou o político paulista Paulo Maluf.
Uma ala do PDS não concordou com a indicação de Maluf e se separou do partido e fundaram o PFL e uniram-se ao PMDB e indicaram o político maranhense, José Sarney, como vice na chapa denominada Aliança Democrática. Em 15 de janeiro de 1985, tancredo Neves foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral.
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Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil, mas faleceu antes de tomar posse. Sarney, seu vice, tomou posse em seu lugar |
Por caminhos indiretos
Na véspera da posse, na noite de 14 de março de 1985, Tancredo adoeceu repentinamente e teve que ser internado em um hospital.
Temia-se que a posse inesperada de José Sarney, político maranhense que fora ligado a ditadura, pudesse complicar o processo de redemocratização. Nas semanas posteriores à sua eleição, Tancredo escolhera o ministério, assumira compromissos que firmara perante a população à volta da democracia.
Temia-se que a posse inesperada de José Sarney, político maranhense que fora ligado a ditadura, pudesse complicar o processo de redemocratização. Nas semanas posteriores à sua eleição, Tancredo escolhera o ministério, assumira compromissos que firmara perante a população à volta da democracia.
No impedimento da posse de Tancredo, e na expiração do prazo do mandato de Figueredo, cabia ao presidente do Congresso Nacional, Ulysses
Guimarães, assumir como presidente da república e no caso de falecimento do presidente eleito, deveria convocar novas eleições. Temendo um retrocesso democrático, Ulysses Guimarães garantiu a posse do vice, como presidente da república. Após passar por várias cirurgias, Tancredo neves falace no dia 21 de abril de 1985.
Sarney não possuía legitimidade política e herdara um governo pronto, com o qual tinha pouca afinidade. O PMDB, assumiu uma posição de comando, dividindo com o presidente da República a condução de comando, dividindo com o presidente da República a condução das reformas políticas, principalmente a promulgação da nova Constituição.
Sarney não possuía legitimidade política e herdara um governo pronto, com o qual tinha pouca afinidade. O PMDB, assumiu uma posição de comando, dividindo com o presidente da República a condução de comando, dividindo com o presidente da República a condução das reformas políticas, principalmente a promulgação da nova Constituição.
Mas a aceitação de Sarney não dependia da política, e
sim da economia. No segundo ano de mandato, quando estava em andamento um plano
de controle da inflação, o presidente experimentou grande popularidade. Com o
fracasso do plano econômico, Sarney rapidamente tronou-se impopular.
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Tancredo Neves, primeiro presidente civil eleito desde 1960, morreu antes de tomar posse |
2. O caos econômico
Sarney teve uma herança maldita. Os militares haviam
deixado um processo inflacionário descontrolado e uma dívida externa que
crescia sem parar.
Para conter a inflação, o governo Sarney adotou em 28
de fevereiro de 1986 um plano econômico que trazia amplas modificações. Os
preços e salários foram congelados, isto é, não poderiam ser aumentados pelo
prazo de um ano. O governo publicou tabelas com preços praticados em 27 de
fevereiro.
O símbolo do plano foi a criação de uma nova moeda, o
cruzado, que substituiu o desvalorizado cruzeiro: Cr$1000,00 passou a valer
Cz$1,00.
O Plano Cruzado, como ficou conhecido, derrubou a
inflação em um primeiro momento. Com as tabelas de preços nas mãos, os cidadãos
fiscalizavam o congelamento, garantindo o poder de compra, foram os chamados
“fiscais do Sarney” e qualquer abuso era denunciado no órgão federal de nome
Sunabe (Superintendência Nacional de Abastecimento), foi o primeiro exercício
de cidadania exercido pelos brasileiros pós redemocratização.
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O caos econômico com uma inflação que chegou a 80% ao mês, juntamente com os sucessivos Planos Econômicos fracassados foram a marca do governo Sarney |
Pressionado pelos produtores, em novembro de 1986 o
governo abandonou o congelamento. Houve aumento de combustíveis, impostos e
tarifas, como a de energia. As medidas provocaram um novo ciclo inflacionário.
Após o fracasso do Plano Cruzado (1986), Sarney tentou
ainda, outros Planos de Estabilização: Plano Bresser (1987) e o Plano Verão
(1989) que instituiu o Cruzado Novo (NCz$), cortando novamente os três últimos
zeros numa paridade de 1000 = 1, que utilizam vários recursos de medidas
anti-inflacionárias – congelamento de preços e salários, mudança de moeda, não
pagamento (moratória) da dívida externa. As crescentes dificuldades sociais e
econômicas do país enfraqueceu o governo Sarney.
A moratória
Na década de 1970, os governos militares aumentaram a
dívida externa brasileira, fazendo empréstimo em dólares para financiar o
“milagre econômico” e pagar a importação e petróleo, cada vez mais caro. Na
época, os juros baixos estimulavam empréstimos cada vez maiores. No entanto, os
juros internacionais aumentaram muito na década de 1980, tornando difícil o
pagamento da dívida. Em fevereiro de 1987, o governo Sarney declarou moratória,
ou seja, deixou de pagar a dívida externa brasileira. A medida se estendeu até
setembro de 1988. No ano de 1980 a inflação acumulada era de 1 037,56%. Em
setembro de 1988, o FMI voltou a liberar recursos para o Brasil, porém com
juros altíssimos e exigência de muitas garantias. Dos US$ 1,4 bilhão concedido
como empréstimo, somente US$ 477 milhões chegaram ao tesou Nacional.
Com a moratória, o pais perdeu credibilidade e os
investimentos externos caíram. A crise econômica ampliou-se e a popularidade de
Sarney caiu ainda mais.
3. A Constituição Cidadã
O processo de abertura política fez nascer a
necessidade de dotar o Brasil de uma nova Constituição, defensora dos valores
democráticos, substituir a autoritária de 1967. O primeiro passo para elaboração de uma Carta
verdadeiramente democrática foi ampliar a representatividade do sistema
eleitoral.
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Ulysses Guimarães, promulgando da Constituição em 1988 |
O Congresso Constituinte
O passo seguinte foi a aprovação da emenda que dotava
os deputados e senadores eleitos em novembro de 1986 de funções constituintes,
para que, paralelamente às funções legislativas usuais, pudessem redigir e
promulgar a nova Constituição. Com a popularidade de Sarney em alto devido ao
Plano Cruzado, os partidos do governo PMDB/PFL elegeram todos os governadores,
22 do PMDB e 1 PFL, e conseguiu ter maioria no Congresso Nacional.
O Congresso Constituinte foi instalado a 1° de
fevereiro de 1987. Em 5 de outubro de 1988, o presidente do Congresso
Constituinte, Ulisses Guimarães, promulgava oficialmente a nova Constituição
brasileira.
A Constituição da República Federativa do Brasil de
1988 (CF/88) é a lei fundamental e suprema do Brasil. É a sétima a reger o
Brasil desde a sua Independência.
Os direitos dos cidadãos
Apresentada como Constituição-cidadã, a Carta de 1988
trazia grandes inovações. Ampliou-se a defesa dos direitos de cidadania, como
na plena igualdade dos direitos e deveres de homens e mulheres, direitos
políticos, na defesa dos direitos dos consumidores, no direito de iniciativa do
povo em apresentar projetos de lei ao Congresso, na proteção ambiental e no
reconhecimento dos direitos dos povos indígenas.
Os direitos políticos foi garantido a liberdade de
expressão, de manifestação, de organização e o direito de greve e de eleições
diretas para todos os níveis. Confirmou o direito de voto facultativo aos
analfabetos e maiores de 16 anos. Instituiu dois turnos nas eleições para
presidente, governador e prefeitos das grandes cidades sempre que o candidato
mais votado não alcançasse 50% + 1 votos válidos. Indos para o segundo turno os
dois candidatos mais votados.
Os direitos sociais foram ampliados, com garantia de
acesso à educação, à saúde e à previdência social. Ampliou-se a
licença-maternidade para 120 dias. Para inibir as demissões, criou-se uma
indenização de 40% sobre o saldo do FGTS do trabalhador demitido sem justa
causa.
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